sábado, 30 de outubro de 2010

Pansy Preeti

Querida mãe:

Estou a morrer de saudades tuas, é o mais importante que tenho a dizer! Viver na cidade sem ti não é fácil, já que és, sem a mínima dúvida, a minha melhor amiga e a maior confidente de todas. A universidade corre às mil maravilhas! É uma pena não ter estas possibilidades ao pé de ti, aí na aldeia. Como está tudo? Já disse que estou a morrer de saudades?

Tenho uma pergunta a fazer-te. Preciso dos teus conselhos e da tua sabedoria. Eu não sei nada, e disso ambas sabemos. Lembras-te do rapaz que conheci há cerca de 3 meses (ou se calhar foi um ano)? De como aquele simples comentário de rede social se transformou numa história de amor cheia de altos e baixos, sorrisos e lágrimas? Pois bem, depois de ter acabado, depois de ter finalmente ultrapassado toda aquela agonia, dei por mim a recordar os sentimentos do passado (e que linda maneira de o fazer senão pessoalmente). Tu deves saber, mãe: quando gostas muito duma pessoa, ficas a gostar sempre… certo? Simplesmente cheguei à conclusão de que me é impossível olhá-lo nos olhos e não sentir aquele friozinho na barriga como antigamente (ou como deveria ter sentido primeiramente). E agora dou por mim a… sofrer? Não sei se será o desígnio correcto.

A pergunta é: e se aquele mero comentário de rede social nunca tivesse aparecido nas nossas vidas? Não é estranho pensar nisso? Para mim é. Se eu estivesse doente ou simplesmente ocupada naquele momento… Nada disto teria acontecido. Nada de amor, sofrimento, crescimento… Tinha-nos poupado aos dois. Mas aconteceu, e desculpa se soo confusa, mas não percebo porquê! Para quê tanto sofrimento (outrora e agora) se vamos acabar nesta monotonia, neste conforto que encontrámos (ou que eu encontro, se esconder a constante vontade de te beijar)? Não seria melhor se nada disto tivesse acontecido? Mãe, começo a ponderar o que será pior: um coração partido ou a saudade de um amor perfeito. E acho que sei a resposta…

Muitos dos meus amigos me dizem o mesmo: acham estranho que estes sentimentos tenham vindo à tona depois de 3 meses (ou um ano?) de silêncio emocional. E eu não sei o que lhes dizer… Só acho que não sou como o resto (ou mais especificamente alguém), que quando acaba um relacionamento, acaba o amor e tudo o resto. Que conseguem ser só amigos. Bom, mãe, eu consigo, mas custa viver com isso… O que devo fazer?

Desculpa, mais uma vez, se pareço confusa. Só preciso de ler as tuas sábias palavras para que possa tomar uma atitude acertada de uma vez por todas.

Um enorme beijo de saudades, Pansy Preeti.