segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Memória #2

Lembro-me tão bem da primeira vez que vislumbrei o seu sorriso. Um sorriso que desde logo me fez cair nas suas graças, especular sobre um futuro, próximo ou não, e criar aquelas tão características borboletas no estômago. Um sorriso pelo qual esperei uma eternidade, ao que me pareceu, para voltar a ver e a ter junto ao meu. Um sorriso que só pela sua mera existência me fazia feliz e apenas o facto de saber que ele me pertencia me deixava deslumbrado.

Agora já não sei nada. Nada mesmo. O tempo perdeu o ritmo de outrora, as horas tornaram-se lentas e os minutos quase parados. Continuo sem nada saber, excepto a certeza da dor que no meu peito se manifesta ao acordar, no decorrer do dia e ao adormecer. Uma dor constante, dilacerante, cujo remédio estou a anos-luz de conhecer.

Não gosto deste novo mundo. Tão cinzento, tão sem vida, tão sozinho. E eu aqui estou, no canto do meu quarto a tentar acreditar que mais tarde ou mais cedo vou abrir os olhos e ter aquele tão familiar sentimento de alívio por me aperceber que tudo não passava de um sonho. Mas sinceramente tenho medo: esta espera já dura há demasiado tempo.

Morro por dentro, por fora e… enfim, morro apenas. Só queria que esta dor se fosse embora, tão repentinamente como apareceu. Do resto da vida nada sei, afinal quem sou eu para dizer ou fazer alguma coisa? Nada sei nem nada me interessa nem sequer sei o que diga. Simplesmente que tudo voltasse ao normal, que eu não tivesse que suspirar tantas vezes ou levantar-me da cama a meio da noite com medo de tudo e de nada… Eu nem sei.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

"Don't miss your own life"

Pois é, “Don’t miss your own life” aparece como título de uma música que há uns tempos tenho andado a ouvir. Foi um pouco “amor ao primeiro ouvido”, como já disse anteriormente, e não me interessa ou não se esta expressão realmente existe. É engraçado como a vida nos dá bolas de futebol para a mão e nos deixa ter controlo suficiente para as chutarmos num momento que designamos como ideal. Pois bem, meus amigos, eu nunca gostei de futebol e, exageros à parte, acabei por dar/levar um valente chuto no rabo.

Nunca devemos desistir daquilo que realmente queremos. Nem sempre tive este espírito mas, claro, uma pessoa vai crescendo à medida que passa pelas experiências, para além das bolas de futebol, que a vida tem para nos oferecer. Uma vida estranha, não acham? Se calhar não, está bem. Continuando, não sinto que perdi a vida, que a deixei passar ou simplesmente que não a aproveitei. Apenas investi. Investi num hipotético futuro que considerei, e ainda o faço, como o ideal de uma procura que há muito se verificava. Mas… nem sei o que pensar. Há tanta coisa… tanta coisa que não consigo perceber, por mais que tente. Não que isto seja mau, pelo contrário! Afinal, vimos ao mundo e quando, nada conhecendo, abrimos os olhos pela primeira vez, pouco é aquilo que percebemos. Os sons são estranhos, os cheiros desconhecidos… Apenas queria perceber, apenas isso. E claro, fico à espera que, pelo menos por uma vez, os meus sonhos, mesmo os mais fantasiosos, se realizem.

(Lamento pela imperceptibilidade do que acima se encontra escrito, especialmente por mim mesmo, mas nem sempre possuo o dom de escrever Angústia com uma palavra apenas.)