quarta-feira, 28 de julho de 2010

Fora de mim, a história de um espelho partido.

Desculpa, amanhã não vou poder ir ter com vocês, não estou com a disposição certa. Tenho de ficar sozinho, desculpa. Não posso ir porque… simplesmente porque não me apetece arranjar. Estou farto de nunca me conseguir sentir bem, de nunca me sentir bonito. Estou farto, não dá. Não quero sair de casa, aliás, tenho vergonha de o fazer. Quero ficar aqui, no computador. Afinal, foi sempre assim que passei a vida, aqui no computador. Os outros conheciam-me, viam-me nas redes sociais e gostavam. Pudera, eu editava as fotografias, ficava bonito. O maior, e um dos poucos problemas é que não me posso editar na realidade. Sou-te sincero, já estou saturado de edições extremas, mesmo antes de sair de casa. É tudo falso e eu estou farto, não tenho mais paciência. Não dá.

Sinto falta da única pessoa que me fez sentir eu próprio. Eu preciso dele… só me consigo sentir bem na sua presença. Chega, não consigo mais viver assim. Já se passaram dois anos e meio, não consigo mais. A minha vida esteve sempre parada a partir do momento em que ele me abandonou. Fiquei sozinho, perdido… nunca mais fui o mesmo.

Não és capaz de entender. Fiquei dois anos em casa. Dois anos. Praticamente sem falar com ninguém de fora, sem sair, sem nada, sempre agarrado às fotografias dele. Sempre. E sempre me senti com ele. Agora vejo essas mesmas fotografias e não consigo. Ele não está aqui. Por muitos rapazes que tente arranjar, por muito que beba, me divirta, me ocupe, ele está sempre aqui… mas não está.

Não consigo mais fingir que sou feliz assim, quando nem de mim gosto, ou a nada atribuo valor. Não sei o que estou aqui a fazer, não faço nada de jeito, todos pensam que sou algo diferente do que sou… estou farto de fingir. Só quero ser feliz, embora não o consiga de nenhuma das formas. Sem ele não dá, ele não me deixa ultrapassar... e parece que é mais forte a cada dia que passa.

Já tentei de tudo para o esquecer. Já namorei com vários rapazes, não consigo. Já me agarrei aos estudos, não dá. Ele está sempre lá, não há nada que eu possa fazer senão lidar com isto todos os dias sem conseguir dormir, sem conseguir parar de olhar para as fotografias, para os sorrisos que em tempos foram tudo. E é tudo o que hoje tenho: as lembranças do passado.

Viver o presente? Para quê? O que é o presente afinal? Estou num sítio onde ninguém me quer, onde não consigo fazer nada de nada. Quanto a amanhã, não vou poder ir. Para que é que querem que eu vá? Não faz diferença, nunca fez e nunca vai fazer. Não consigo mais estar alegre, não dá, é por isso que não quero ir. Depois falamos, adeus e mais uma vez, desculpa.



Em parte adaptado.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Memória #1

É possível andar todos os dias pseudo-deprimido por estar efectivamente sozinho, ou vá, sem uma companhia especial? Não que queira uma qualquer, mas antes aquela. E se é possível, é normal?

Já não gosto da maneira como me sinto. Apesar do enorme calor que sinto dentro de mim (e acreditem que não é do tempo) sinto-me triste, pesado, vazio… Só em certos, mas poucos momentos me consigo sentir preenchido, se bem que na altura não me dá para pensar nisso. Isto, claro, quando ouço aquela voz grave e sedutora, vejo aqueles olhos penetrantes e saboreio os beijos indescritíveis.

Já só quero… nem sei. Só quero que o tempo passe, que as semanas se transformem em dias ou minutos e que cheguem os momentos em que tenho absoluta certeza da presença da sua mão na minha, ou então dos seus lábios nos meus. Não quero que tudo isto passe de um sonho, esta minha vontade de o agarrar todos os dias, dizer o quanto quero que seja meu e o quanto de mim já lhe pertence.

E pensar que pus a hipótese de afastar este sentimento que demorava a ascender dentro de mim e com o qual, sinceramente, apenas me deparei, não tendo qualquer recordação do seu início. Óbvio que fins, nem neles penso. Só quero que continue, que melhore, que sejamos um, que esses fortes e cheirosos braços me apertem como já tantas vezes fizeram e, sem querer, me apertaram, sem largar, uma parte da alma.

Enfim, o tempo é tudo. Nele subtilmente deposito os meus sonhos, que de certo bem conhece. Não quero mais do que aquilo que sempre pedi, apenas diferente no que diz respeito à lucidez com que agora interpreto a minha vontade.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Básico: tento perceber como.

Hoje sinto-me mal. Enfim, já não estranho os imensos conflitos interiores que vivencio desde que me lembro, mas começo a temê-los por me conseguirem deitar abaixo sem nenhuma razão em específico. Tenho que evoluir, mas sinceramente não sei bem como fazer esta passagem para um nível superior, sem deixar de ser fiel a mim mesmo. Isto, claro, porque independentemente do que diga, não é única e exclusivamente por mim que o quero fazer. No entanto, estou disposto a dar este salto que, espero eu, me vai trazer novas perspectivas de tudo em meu redor, novas vivências, novas responsabilidades e a tão ansiada estabilidade emocional. A pergunta que aqui continuamente se insinua é: Como?

Como o quê? Nem sei o que isto quer dizer. Não estou à espera de estar a tentar vezes sem fim e, de um dia para o outro, tornar-me numa pessoa completamente diferente. Não, trata-se de um processo gradual, lento e trabalhoso. Não há espaço para facilidades, mas também quem as quer? Eu pelo menos não as desejo, não no que diz respeito à minha evolução pessoal, partindo do pressuposto que esta se vai verificar.

Tenho fé. Em mim, claro. Se calhar era uma mudança que já deveria ter sido no mínimo planeada há algum tempo. Preciso disto e não posso constantemente andar a cair pelos cantos sempre que a vida não me corre como desejo e, como consequência, apelar a toda a extravagância que em mim encontre para se mostrar ao mundo e, para além de me revestir com mais uma capa de protecção, tornar a minha pessoa num erro digno de arrependimento. Grande dignidade.

Agora que o meu reflexo para mim não significa perfeição, mas sim necessidade de mudança, mais uma vez me pergunto: Como?

Treze anos: sinto-me uma menina.

Descobri que não tenho jeito para rimar. Já não é de agora, nunca tive e nunca hei-de ter. Na verdade, não tenho nenhum grande talento, mas escrever poemas que deixem os críticos de queixo caído, merecedores de importantíssimos prémios, nunca foi sequer uma opção. Na realidade, os poemas irritam-me. Irritam-me porque sou obrigado a concordar com as maiorias, quando me confrontam com a mais maravilhosa composição poética, mas da minha mão nunca sai nada minimamente parecido. Irritam-me porque provocam arrepios na espinha e não sou capaz de os produzir. Enfim.

Nem sei porque me lembrei dos poemas ou das rimas. Um tema um pouco aleatório, contudo tinha a necessidade de me expressar por escrito e, bem, pareceu-me adequado começar por aí. Mas não foi. Queria escrever sobre o amor! Um romance cheio de lamechices e com os maiores clichés de sempre. Mas até para isso me dá a preguiça. Já disse aqui que devo ser a pessoa mais preguiçosa que conheço? Podia ter começado por ai. Ou então não. Enfim, vou falar do amor!

Uma coisa é certa: sinto-me estúpido. Já passei por este sentimento outrora. Nem sei o que é, dar-lhe um nome ou como me faz sentir. Se pensar bem, num momento sinto-me a pessoa mais feliz e prendada do mundo, noutro imediatamente a seguir até consigo tocar nas enormes e negras mãos da depressão. Ok, depressão é muito forte. Claro que não estou deprimido. Simplesmente sinto um vazio quando estou… sozinho. Não acompanhado. Continuo a sentir-me estúpido.

Será normal apetecer-me ir arrancar flores aos jardins que vejo da minha janela? Ou então pegar numa folha e desenhar coraçõezinhos? Eu sei, é deprimente. Mas é assim que eu me sinto e, bem, o que eu faço para tentar atenuar as minhas necessidades afectivas é um bocado ridículo. É pena não ter nenhum papel à mão.

É natural que me sinta uma miúda de treze anos, não é? Começo a ter medo de mim mesmo. Nos próximos meses… não, nos próximos anos não pego em papel.