Olho para trás e vejo a enorme distância que percorri em tão pouco tempo. Acho vergonhoso pensar que há apenas um ano era dono de um pensamento raro para a minha idade, assombrosamente à frente de algumas pessoas com as quais convivia diariamente. Algumas coisas mudaram, outras não.
Agradeço sobretudo à amargura da vida por tanto me ter ensinado. Continuo com a ideia de que somos constantes aprendizes e dou-me feliz por isso. Ao contrário do que possa parecer, não me sinto mais velho relativamente ao que era. Simplesmente tenho todo aquele fogo para viver o máximo ao máximo, com um ligeiro mas fundamental toque de completa responsabilidade, centrada maioritariamente em mim mesmo.
Descobri que os erros são fundamentais (complementando a ideia que tinha anteriormente) à evolução de pensamento e, sendo muito sincero, tenho imensa pena de quem se achar perfeito, sem nunca ter passado pela vida com um pé vacilante. E foi por ter vivenciado tanta coisa, por as lágrimas me terem caído tantas vezes, por ter ganho tanto amor-próprio que decidi seguir em frente e deixar o passado no sítio onde pertence. É com toda a convicção que o digo (ou escrevo): é o começo de uma Nova Era.
de Menina para Homem
domingo, 3 de julho de 2011
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Matilde
Perguntam-me às vezes como é o homem perfeito. E eu, com toda a minha ignorância no assunto, respondo: não sei.
Um. 20 aniversários completos, quase como eu. Está longe, mas perto no coração, não é o que todos dizem? Deu-me tudo o que eu sempre quis. Pena que na altura não o queria. Ri, rimos, chorou, chorámos, chorei e com muito esforço cheguei ao que hoje me tornei, tão diferente mas tão igual, se é que me entendem. Arrependi-me de tudo e dei graças a todos os momentos que partilhámos mas que, na sua cabeça, não passam agora de memórias vagas e distantes. Sem saber, fui feliz.
Dois. 28 aniversários completos, nada como eu e foi isto que tanta gente me disse durante tanto tempo. Principalmente ele. Está perto e perto no coração, se bem que eu me encontro muito longe dele. Nunca me deu o que eu procurava, apenas era a personificação de tudo o que eu sempre havia procurado. Pena que procurei demasiado. Ri, rimos, chorei, ri, rimos, chorei, ri, rimos, chorei e ri e chorei e fartei. Custou. Arrependi-me de tudo e dei graças a todos os momentos que partilhámos mas que, na sua cabeça, não passam agora de mais umas quanta memórias sem importância e mais um corpo nu na sua cama. Perfeitamente consciente, fingi ser feliz.
Um, dois, um, dois. Os dois perto, muito perto e demasiado longe, tão longe que faz com que doa e dói sempre. Todos os dias. Não por um, mas pelos dois.
Um. 20 aniversários completos, quase como eu. Está longe, mas perto no coração, não é o que todos dizem? Deu-me tudo o que eu sempre quis. Pena que na altura não o queria. Ri, rimos, chorou, chorámos, chorei e com muito esforço cheguei ao que hoje me tornei, tão diferente mas tão igual, se é que me entendem. Arrependi-me de tudo e dei graças a todos os momentos que partilhámos mas que, na sua cabeça, não passam agora de memórias vagas e distantes. Sem saber, fui feliz.
Dois. 28 aniversários completos, nada como eu e foi isto que tanta gente me disse durante tanto tempo. Principalmente ele. Está perto e perto no coração, se bem que eu me encontro muito longe dele. Nunca me deu o que eu procurava, apenas era a personificação de tudo o que eu sempre havia procurado. Pena que procurei demasiado. Ri, rimos, chorei, ri, rimos, chorei, ri, rimos, chorei e ri e chorei e fartei. Custou. Arrependi-me de tudo e dei graças a todos os momentos que partilhámos mas que, na sua cabeça, não passam agora de mais umas quanta memórias sem importância e mais um corpo nu na sua cama. Perfeitamente consciente, fingi ser feliz.
Um, dois, um, dois. Os dois perto, muito perto e demasiado longe, tão longe que faz com que doa e dói sempre. Todos os dias. Não por um, mas pelos dois.
sábado, 30 de outubro de 2010
Pansy Preeti
Querida mãe:
Estou a morrer de saudades tuas, é o mais importante que tenho a dizer! Viver na cidade sem ti não é fácil, já que és, sem a mínima dúvida, a minha melhor amiga e a maior confidente de todas. A universidade corre às mil maravilhas! É uma pena não ter estas possibilidades ao pé de ti, aí na aldeia. Como está tudo? Já disse que estou a morrer de saudades?
Tenho uma pergunta a fazer-te. Preciso dos teus conselhos e da tua sabedoria. Eu não sei nada, e disso ambas sabemos. Lembras-te do rapaz que conheci há cerca de 3 meses (ou se calhar foi um ano)? De como aquele simples comentário de rede social se transformou numa história de amor cheia de altos e baixos, sorrisos e lágrimas? Pois bem, depois de ter acabado, depois de ter finalmente ultrapassado toda aquela agonia, dei por mim a recordar os sentimentos do passado (e que linda maneira de o fazer senão pessoalmente). Tu deves saber, mãe: quando gostas muito duma pessoa, ficas a gostar sempre… certo? Simplesmente cheguei à conclusão de que me é impossível olhá-lo nos olhos e não sentir aquele friozinho na barriga como antigamente (ou como deveria ter sentido primeiramente). E agora dou por mim a… sofrer? Não sei se será o desígnio correcto.
A pergunta é: e se aquele mero comentário de rede social nunca tivesse aparecido nas nossas vidas? Não é estranho pensar nisso? Para mim é. Se eu estivesse doente ou simplesmente ocupada naquele momento… Nada disto teria acontecido. Nada de amor, sofrimento, crescimento… Tinha-nos poupado aos dois. Mas aconteceu, e desculpa se soo confusa, mas não percebo porquê! Para quê tanto sofrimento (outrora e agora) se vamos acabar nesta monotonia, neste conforto que encontrámos (ou que eu encontro, se esconder a constante vontade de te beijar)? Não seria melhor se nada disto tivesse acontecido? Mãe, começo a ponderar o que será pior: um coração partido ou a saudade de um amor perfeito. E acho que sei a resposta…
Muitos dos meus amigos me dizem o mesmo: acham estranho que estes sentimentos tenham vindo à tona depois de 3 meses (ou um ano?) de silêncio emocional. E eu não sei o que lhes dizer… Só acho que não sou como o resto (ou mais especificamente alguém), que quando acaba um relacionamento, acaba o amor e tudo o resto. Que conseguem ser só amigos. Bom, mãe, eu consigo, mas custa viver com isso… O que devo fazer?
Desculpa, mais uma vez, se pareço confusa. Só preciso de ler as tuas sábias palavras para que possa tomar uma atitude acertada de uma vez por todas.
Um enorme beijo de saudades, Pansy Preeti.
Estou a morrer de saudades tuas, é o mais importante que tenho a dizer! Viver na cidade sem ti não é fácil, já que és, sem a mínima dúvida, a minha melhor amiga e a maior confidente de todas. A universidade corre às mil maravilhas! É uma pena não ter estas possibilidades ao pé de ti, aí na aldeia. Como está tudo? Já disse que estou a morrer de saudades?
Tenho uma pergunta a fazer-te. Preciso dos teus conselhos e da tua sabedoria. Eu não sei nada, e disso ambas sabemos. Lembras-te do rapaz que conheci há cerca de 3 meses (ou se calhar foi um ano)? De como aquele simples comentário de rede social se transformou numa história de amor cheia de altos e baixos, sorrisos e lágrimas? Pois bem, depois de ter acabado, depois de ter finalmente ultrapassado toda aquela agonia, dei por mim a recordar os sentimentos do passado (e que linda maneira de o fazer senão pessoalmente). Tu deves saber, mãe: quando gostas muito duma pessoa, ficas a gostar sempre… certo? Simplesmente cheguei à conclusão de que me é impossível olhá-lo nos olhos e não sentir aquele friozinho na barriga como antigamente (ou como deveria ter sentido primeiramente). E agora dou por mim a… sofrer? Não sei se será o desígnio correcto.
A pergunta é: e se aquele mero comentário de rede social nunca tivesse aparecido nas nossas vidas? Não é estranho pensar nisso? Para mim é. Se eu estivesse doente ou simplesmente ocupada naquele momento… Nada disto teria acontecido. Nada de amor, sofrimento, crescimento… Tinha-nos poupado aos dois. Mas aconteceu, e desculpa se soo confusa, mas não percebo porquê! Para quê tanto sofrimento (outrora e agora) se vamos acabar nesta monotonia, neste conforto que encontrámos (ou que eu encontro, se esconder a constante vontade de te beijar)? Não seria melhor se nada disto tivesse acontecido? Mãe, começo a ponderar o que será pior: um coração partido ou a saudade de um amor perfeito. E acho que sei a resposta…
Muitos dos meus amigos me dizem o mesmo: acham estranho que estes sentimentos tenham vindo à tona depois de 3 meses (ou um ano?) de silêncio emocional. E eu não sei o que lhes dizer… Só acho que não sou como o resto (ou mais especificamente alguém), que quando acaba um relacionamento, acaba o amor e tudo o resto. Que conseguem ser só amigos. Bom, mãe, eu consigo, mas custa viver com isso… O que devo fazer?
Desculpa, mais uma vez, se pareço confusa. Só preciso de ler as tuas sábias palavras para que possa tomar uma atitude acertada de uma vez por todas.
Um enorme beijo de saudades, Pansy Preeti.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
Memória #2
Lembro-me tão bem da primeira vez que vislumbrei o seu sorriso. Um sorriso que desde logo me fez cair nas suas graças, especular sobre um futuro, próximo ou não, e criar aquelas tão características borboletas no estômago. Um sorriso pelo qual esperei uma eternidade, ao que me pareceu, para voltar a ver e a ter junto ao meu. Um sorriso que só pela sua mera existência me fazia feliz e apenas o facto de saber que ele me pertencia me deixava deslumbrado.
Agora já não sei nada. Nada mesmo. O tempo perdeu o ritmo de outrora, as horas tornaram-se lentas e os minutos quase parados. Continuo sem nada saber, excepto a certeza da dor que no meu peito se manifesta ao acordar, no decorrer do dia e ao adormecer. Uma dor constante, dilacerante, cujo remédio estou a anos-luz de conhecer.
Não gosto deste novo mundo. Tão cinzento, tão sem vida, tão sozinho. E eu aqui estou, no canto do meu quarto a tentar acreditar que mais tarde ou mais cedo vou abrir os olhos e ter aquele tão familiar sentimento de alívio por me aperceber que tudo não passava de um sonho. Mas sinceramente tenho medo: esta espera já dura há demasiado tempo.
Morro por dentro, por fora e… enfim, morro apenas. Só queria que esta dor se fosse embora, tão repentinamente como apareceu. Do resto da vida nada sei, afinal quem sou eu para dizer ou fazer alguma coisa? Nada sei nem nada me interessa nem sequer sei o que diga. Simplesmente que tudo voltasse ao normal, que eu não tivesse que suspirar tantas vezes ou levantar-me da cama a meio da noite com medo de tudo e de nada… Eu nem sei.
Agora já não sei nada. Nada mesmo. O tempo perdeu o ritmo de outrora, as horas tornaram-se lentas e os minutos quase parados. Continuo sem nada saber, excepto a certeza da dor que no meu peito se manifesta ao acordar, no decorrer do dia e ao adormecer. Uma dor constante, dilacerante, cujo remédio estou a anos-luz de conhecer.
Não gosto deste novo mundo. Tão cinzento, tão sem vida, tão sozinho. E eu aqui estou, no canto do meu quarto a tentar acreditar que mais tarde ou mais cedo vou abrir os olhos e ter aquele tão familiar sentimento de alívio por me aperceber que tudo não passava de um sonho. Mas sinceramente tenho medo: esta espera já dura há demasiado tempo.
Morro por dentro, por fora e… enfim, morro apenas. Só queria que esta dor se fosse embora, tão repentinamente como apareceu. Do resto da vida nada sei, afinal quem sou eu para dizer ou fazer alguma coisa? Nada sei nem nada me interessa nem sequer sei o que diga. Simplesmente que tudo voltasse ao normal, que eu não tivesse que suspirar tantas vezes ou levantar-me da cama a meio da noite com medo de tudo e de nada… Eu nem sei.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
"Don't miss your own life"
Pois é, “Don’t miss your own life” aparece como título de uma música que há uns tempos tenho andado a ouvir. Foi um pouco “amor ao primeiro ouvido”, como já disse anteriormente, e não me interessa ou não se esta expressão realmente existe. É engraçado como a vida nos dá bolas de futebol para a mão e nos deixa ter controlo suficiente para as chutarmos num momento que designamos como ideal. Pois bem, meus amigos, eu nunca gostei de futebol e, exageros à parte, acabei por dar/levar um valente chuto no rabo.
Nunca devemos desistir daquilo que realmente queremos. Nem sempre tive este espírito mas, claro, uma pessoa vai crescendo à medida que passa pelas experiências, para além das bolas de futebol, que a vida tem para nos oferecer. Uma vida estranha, não acham? Se calhar não, está bem. Continuando, não sinto que perdi a vida, que a deixei passar ou simplesmente que não a aproveitei. Apenas investi. Investi num hipotético futuro que considerei, e ainda o faço, como o ideal de uma procura que há muito se verificava. Mas… nem sei o que pensar. Há tanta coisa… tanta coisa que não consigo perceber, por mais que tente. Não que isto seja mau, pelo contrário! Afinal, vimos ao mundo e quando, nada conhecendo, abrimos os olhos pela primeira vez, pouco é aquilo que percebemos. Os sons são estranhos, os cheiros desconhecidos… Apenas queria perceber, apenas isso. E claro, fico à espera que, pelo menos por uma vez, os meus sonhos, mesmo os mais fantasiosos, se realizem.
(Lamento pela imperceptibilidade do que acima se encontra escrito, especialmente por mim mesmo, mas nem sempre possuo o dom de escrever Angústia com uma palavra apenas.)
Nunca devemos desistir daquilo que realmente queremos. Nem sempre tive este espírito mas, claro, uma pessoa vai crescendo à medida que passa pelas experiências, para além das bolas de futebol, que a vida tem para nos oferecer. Uma vida estranha, não acham? Se calhar não, está bem. Continuando, não sinto que perdi a vida, que a deixei passar ou simplesmente que não a aproveitei. Apenas investi. Investi num hipotético futuro que considerei, e ainda o faço, como o ideal de uma procura que há muito se verificava. Mas… nem sei o que pensar. Há tanta coisa… tanta coisa que não consigo perceber, por mais que tente. Não que isto seja mau, pelo contrário! Afinal, vimos ao mundo e quando, nada conhecendo, abrimos os olhos pela primeira vez, pouco é aquilo que percebemos. Os sons são estranhos, os cheiros desconhecidos… Apenas queria perceber, apenas isso. E claro, fico à espera que, pelo menos por uma vez, os meus sonhos, mesmo os mais fantasiosos, se realizem.
(Lamento pela imperceptibilidade do que acima se encontra escrito, especialmente por mim mesmo, mas nem sempre possuo o dom de escrever Angústia com uma palavra apenas.)
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Fora de mim, a história de um espelho partido.
Desculpa, amanhã não vou poder ir ter com vocês, não estou com a disposição certa. Tenho de ficar sozinho, desculpa. Não posso ir porque… simplesmente porque não me apetece arranjar. Estou farto de nunca me conseguir sentir bem, de nunca me sentir bonito. Estou farto, não dá. Não quero sair de casa, aliás, tenho vergonha de o fazer. Quero ficar aqui, no computador. Afinal, foi sempre assim que passei a vida, aqui no computador. Os outros conheciam-me, viam-me nas redes sociais e gostavam. Pudera, eu editava as fotografias, ficava bonito. O maior, e um dos poucos problemas é que não me posso editar na realidade. Sou-te sincero, já estou saturado de edições extremas, mesmo antes de sair de casa. É tudo falso e eu estou farto, não tenho mais paciência. Não dá.
Sinto falta da única pessoa que me fez sentir eu próprio. Eu preciso dele… só me consigo sentir bem na sua presença. Chega, não consigo mais viver assim. Já se passaram dois anos e meio, não consigo mais. A minha vida esteve sempre parada a partir do momento em que ele me abandonou. Fiquei sozinho, perdido… nunca mais fui o mesmo.
Não és capaz de entender. Fiquei dois anos em casa. Dois anos. Praticamente sem falar com ninguém de fora, sem sair, sem nada, sempre agarrado às fotografias dele. Sempre. E sempre me senti com ele. Agora vejo essas mesmas fotografias e não consigo. Ele não está aqui. Por muitos rapazes que tente arranjar, por muito que beba, me divirta, me ocupe, ele está sempre aqui… mas não está.
Não consigo mais fingir que sou feliz assim, quando nem de mim gosto, ou a nada atribuo valor. Não sei o que estou aqui a fazer, não faço nada de jeito, todos pensam que sou algo diferente do que sou… estou farto de fingir. Só quero ser feliz, embora não o consiga de nenhuma das formas. Sem ele não dá, ele não me deixa ultrapassar... e parece que é mais forte a cada dia que passa.
Já tentei de tudo para o esquecer. Já namorei com vários rapazes, não consigo. Já me agarrei aos estudos, não dá. Ele está sempre lá, não há nada que eu possa fazer senão lidar com isto todos os dias sem conseguir dormir, sem conseguir parar de olhar para as fotografias, para os sorrisos que em tempos foram tudo. E é tudo o que hoje tenho: as lembranças do passado.
Viver o presente? Para quê? O que é o presente afinal? Estou num sítio onde ninguém me quer, onde não consigo fazer nada de nada. Quanto a amanhã, não vou poder ir. Para que é que querem que eu vá? Não faz diferença, nunca fez e nunca vai fazer. Não consigo mais estar alegre, não dá, é por isso que não quero ir. Depois falamos, adeus e mais uma vez, desculpa.
Em parte adaptado.
Sinto falta da única pessoa que me fez sentir eu próprio. Eu preciso dele… só me consigo sentir bem na sua presença. Chega, não consigo mais viver assim. Já se passaram dois anos e meio, não consigo mais. A minha vida esteve sempre parada a partir do momento em que ele me abandonou. Fiquei sozinho, perdido… nunca mais fui o mesmo.
Não és capaz de entender. Fiquei dois anos em casa. Dois anos. Praticamente sem falar com ninguém de fora, sem sair, sem nada, sempre agarrado às fotografias dele. Sempre. E sempre me senti com ele. Agora vejo essas mesmas fotografias e não consigo. Ele não está aqui. Por muitos rapazes que tente arranjar, por muito que beba, me divirta, me ocupe, ele está sempre aqui… mas não está.
Não consigo mais fingir que sou feliz assim, quando nem de mim gosto, ou a nada atribuo valor. Não sei o que estou aqui a fazer, não faço nada de jeito, todos pensam que sou algo diferente do que sou… estou farto de fingir. Só quero ser feliz, embora não o consiga de nenhuma das formas. Sem ele não dá, ele não me deixa ultrapassar... e parece que é mais forte a cada dia que passa.
Já tentei de tudo para o esquecer. Já namorei com vários rapazes, não consigo. Já me agarrei aos estudos, não dá. Ele está sempre lá, não há nada que eu possa fazer senão lidar com isto todos os dias sem conseguir dormir, sem conseguir parar de olhar para as fotografias, para os sorrisos que em tempos foram tudo. E é tudo o que hoje tenho: as lembranças do passado.
Viver o presente? Para quê? O que é o presente afinal? Estou num sítio onde ninguém me quer, onde não consigo fazer nada de nada. Quanto a amanhã, não vou poder ir. Para que é que querem que eu vá? Não faz diferença, nunca fez e nunca vai fazer. Não consigo mais estar alegre, não dá, é por isso que não quero ir. Depois falamos, adeus e mais uma vez, desculpa.
Em parte adaptado.
terça-feira, 27 de julho de 2010
Memória #1
É possível andar todos os dias pseudo-deprimido por estar efectivamente sozinho, ou vá, sem uma companhia especial? Não que queira uma qualquer, mas antes aquela. E se é possível, é normal?
Já não gosto da maneira como me sinto. Apesar do enorme calor que sinto dentro de mim (e acreditem que não é do tempo) sinto-me triste, pesado, vazio… Só em certos, mas poucos momentos me consigo sentir preenchido, se bem que na altura não me dá para pensar nisso. Isto, claro, quando ouço aquela voz grave e sedutora, vejo aqueles olhos penetrantes e saboreio os beijos indescritíveis.
Já só quero… nem sei. Só quero que o tempo passe, que as semanas se transformem em dias ou minutos e que cheguem os momentos em que tenho absoluta certeza da presença da sua mão na minha, ou então dos seus lábios nos meus. Não quero que tudo isto passe de um sonho, esta minha vontade de o agarrar todos os dias, dizer o quanto quero que seja meu e o quanto de mim já lhe pertence.
E pensar que pus a hipótese de afastar este sentimento que demorava a ascender dentro de mim e com o qual, sinceramente, apenas me deparei, não tendo qualquer recordação do seu início. Óbvio que fins, nem neles penso. Só quero que continue, que melhore, que sejamos um, que esses fortes e cheirosos braços me apertem como já tantas vezes fizeram e, sem querer, me apertaram, sem largar, uma parte da alma.
Enfim, o tempo é tudo. Nele subtilmente deposito os meus sonhos, que de certo bem conhece. Não quero mais do que aquilo que sempre pedi, apenas diferente no que diz respeito à lucidez com que agora interpreto a minha vontade.
Já não gosto da maneira como me sinto. Apesar do enorme calor que sinto dentro de mim (e acreditem que não é do tempo) sinto-me triste, pesado, vazio… Só em certos, mas poucos momentos me consigo sentir preenchido, se bem que na altura não me dá para pensar nisso. Isto, claro, quando ouço aquela voz grave e sedutora, vejo aqueles olhos penetrantes e saboreio os beijos indescritíveis.
Já só quero… nem sei. Só quero que o tempo passe, que as semanas se transformem em dias ou minutos e que cheguem os momentos em que tenho absoluta certeza da presença da sua mão na minha, ou então dos seus lábios nos meus. Não quero que tudo isto passe de um sonho, esta minha vontade de o agarrar todos os dias, dizer o quanto quero que seja meu e o quanto de mim já lhe pertence.
E pensar que pus a hipótese de afastar este sentimento que demorava a ascender dentro de mim e com o qual, sinceramente, apenas me deparei, não tendo qualquer recordação do seu início. Óbvio que fins, nem neles penso. Só quero que continue, que melhore, que sejamos um, que esses fortes e cheirosos braços me apertem como já tantas vezes fizeram e, sem querer, me apertaram, sem largar, uma parte da alma.
Enfim, o tempo é tudo. Nele subtilmente deposito os meus sonhos, que de certo bem conhece. Não quero mais do que aquilo que sempre pedi, apenas diferente no que diz respeito à lucidez com que agora interpreto a minha vontade.
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